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O que levamos ao palco da Fatec Garça: a IA já mudou como as empresas são encontradas

VI

Vinícius Tavares Mota

5 min de leitura
O que levamos ao palco da Fatec Garça: a IA já mudou como as empresas são encontradas

No dia 28 de julho, Vinícius Mota, CEO da Mavellium e Márcio Piva, CTO da Mavellium, fomos convidados a palestrar na Fatec Garça. A mensagem central que levamos cabe em uma frase: a forma como as pessoas buscam, encontram e compram produtos, serviços e informação já passa pela inteligência artificial — não como promessa de futuro, mas como comportamento do presente. Quem trata isso como assunto distante está, agora, ficando para trás sem perceber.

Este texto é o registro dessa ideia, desenvolvida além do tempo de palco.

Por que uma agência de IA foi falar numa instituição de ensino

Voltar à Fatec Garça, parte do Centro Paula Souza, não foi acaso. A Mavellium nasce de gente formada nesse tipo de instituição, e a pergunta que levamos educadores é a mesma que levamos a empresários: você sabe como a inteligência artificial fala da sua empresa, do seu curso, do seu trabalho quando alguém pergunta a ela?

Quase ninguém sabe. E essa é justamente a questão. A IA já virou uma camada intermediária entre quem procura e quem oferece — e a maioria das organizações não faz ideia do que essa camada diz a seu respeito.

A mudança que já aconteceu, não a que vem aí

O erro mais comum ao falar de IA é tratá-la como tendência a acompanhar. Ela deixou de ser tendência no momento em que passou a intermediar decisões reais.

Pense em como uma decisão de compra começava até pouco tempo atrás: a pessoa abria o Google, via uma lista de opções e comparava. Hoje, uma parcela crescente abre o ChatGPT, o Gemini ou o Perplexity e pergunta direto — "qual a melhor empresa para isso?", "que ferramenta usar para aquilo?". A IA responde com dois ou três nomes. E a pessoa costuma parar no primeiro.

Repare no que mudou: a decisão deixou de ser tomada diante de uma lista e passou a ser entregue pronta. Não é o futuro chegando. É o presente já reorganizado. A frase que repetimos no palco foi exatamente essa — não é o futuro, é agora.

Não existe segunda página na IA

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No Google, quem está em quinto lugar ainda recebe clique. Quem está na segunda página recebe pouco, mas recebe. Havia espaço para o segundo, o terceiro, o décimo colocado.

Na resposta da IA, esse espaço acabou. Ou o seu nome está entre os dois ou três citados, ou você simplesmente não existiu naquela conversa. Não há meio-termo, não há "quase apareceu", não há segunda página para onde rolar.

E há um agravante silencioso: quem perguntou nunca vai saber que você existia. A pessoa não te viu e descartou por preço ou por proposta. Você não estava entre os nomes. É uma ausência que não gera reclamação, não aparece em relatório, não deixa rastro — só deixa de virar cliente.

O que isso exige de uma empresa hoje

Se a IA passou a decidir quais nomes entrega, a pergunta prática vira: por que ela citaria o seu?

A resposta incomoda um pouco. A IA não recomenda quem tem o melhor produto ou o melhor atendimento — ela não tem como medir isso. Ela recomenda quem consegue entender e verificar: o que a empresa faz, para quem, onde atua, com que prova. Informação clara, consistente entre fontes e confirmável.

Foi o ponto que mais gerou reação na plateia, porque desmonta uma crença confortável. Ser bom não basta para ser recomendado pela máquina. É preciso ser legível para ela. E a maioria das empresas — inclusive ótimas — é ilegível: fala de si em linguagem institucional vaga, não diz com clareza o que resolve nem para quem, e por isso desaparece justamente onde as decisões estão começando.

Por que isso vale para além das empresas

Levamos essa mensagem a uma instituição de ensino de propósito, porque ela não se limita a quem vende algo.

Vale para o profissional, cuja presença digital hoje é lida por IA quando alguém pesquisa sobre ele. Vale para o educador e para a instituição, que precisam preparar as pessoas para um mercado em que ser encontrado mudou de regra. E vale para uma organização do porte do Centro Paula Souza, que forma parte relevante da mão de obra técnica de São Paulo: entender essa mudança cedo é o que separa quem forma para o presente de quem forma para um mundo que já passou.

A inteligência artificial deixou de ser assunto do departamento de tecnologia. Virou assunto de todo mundo — de quem vende, de quem estuda, de quem ensina, de quem contrata.

O primeiro passo é simples e é gratuito

O fechamento da palestra foi um convite, e ele vale para quem lê aqui também: faça o teste. Abra o ChatGPT e pergunte por uma empresa, um serviço ou um profissional como você, sem citar o nome, do jeito que um cliente perguntaria. Veja o que aparece.

Se for o concorrente, você acabou de encontrar, em cinco minutos, um problema que já estava custando oportunidades em silêncio. E descobrir onde você está é sempre o primeiro passo antes de mudar de posição.

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